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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

QUEM SOU EU? E QUEM ÉS TU?


QUEM SOU EU? E QUEM ÉS TU?

Enquanto síntese biológica existencial nós somos uma estrutura corporificada que toma várias formas no continuum da vida. Criamos uma identidade que não é necessariamente o nosso nome ou um número, vestimo-nos de uma roupagem para nos apresentarmos como uma imagem do Eu que acreditamos Ser. Isto é importante para o reconhecimento do mundo, mas este Eu não é fixo, pois a depender do momento e necessidade podemos trocar de hábito.

Para se fazer uma roupa, um fato, precisamos de várias partes para compô-la, que podem ser todas da mesma cor, tamanhos diferentes, e composições das mais variadas, mas em essência continuamos por traz do hábito que vestimos ou investimos, algumas vezes nos habituamos a vestir sempre o mesmo ou trocamos de hábito a todo momento. A questão primordial é a identificação com um hábito em detrimento de muitos outros pois acreditamos que esta é a melhor forma para o outro nos ver, o que nada mais é de uma questão egoíca diferenciada da essência do Eu que é a nossa natureza em si, desprovida de qualquer julgamento e simplesmente motivada para a vida.

Quando compreendemos que somos os agentes das trocas de hábitos, podemos ter a capacidade de decisão e termos escolhas mais conscientes e adequadas às contextualizações para um melhor relacionamento Eu – Tu com uma mente flexível sem a necessidade de julgamento de quem és Tu.

Evilázio Lima

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

DORES DE UM SENTIMENTO NÃO MANIFESTO.


Biossíntese Morfo-Analítica
DORES DE UM SENTIMENTO NÃO MANIFESTO.
Evilázio Lima

Ao publicar um artigo, sobre os “Aspectos Psicossomáticos da Dor” uma pessoa levantou a seguinte questão:
Dr Evilázio! Acho que a dor diretamente não leva a morte, mas pode levar. Alguns cientistas afirmam que a dor crônica debilita o sistema imunológico, facilitando o surgimento e desenvolvimento de doenças fatais, como o câncer, mas psicologicamente a pessoa que passa por um trauma (dor) pode morrer com essa experiência emocional?
E minha resposta:
Na realidade qualquer tipo de dor é um alerta que nos diz que existe algo errado conosco ou em nós. As dores por injúrias mecânicas podem ter uma grande interferência emocional. Principalmente quando estas lesões se tornam fatores limitantes do nosso organismo, enquanto outras de menor extensão podem passar sem maiores significados.
Em relação às dores emocionais: estas muitas vezes dão a sensação de “cortar ou rasgar nossa alma” e quando saímos da crise estaremos carregando cicatrizes profundas em nosso âmago. Geralmente estas dores estão associadas a perdas afetivas e efetivas, quero dizer morte de alguém ou o afastamento de uma pessoa querida com o rompimento de laços afetivos restando sentimentos de amargura ou ainda ropturas profissionais e crises económicas. Quando estas questões não são resolvidas podem ser desencadeados quadros depressivos, atitudes defensivas de raiva, angústia ou processos eufóricos como se tudo estivesse “sempre bem”, na tentativa do organismo como um todo de criar uma compensação em relação a estes sentimentos de perda.
Outra questão é quanto à temporalidade e a forma como o indivíduo nutre a permanência destes sentimentos e sensações. Como podemos observar, estes processos emocionais são campos de energias polarizadoras de alterações psicofisiológicas, que com o tempo vão drenar a capacidade do organismo de se reestruturar. Dependendo de cada pessoa uma sintomatologia tomará forma e terá que ser tratada, pois caso contrário, o organismo descompensado entrará em caquexia e muitas vezes à morte. Portanto, tratar uma dor não é apenas olhar os sintomas, mas sim, procurar entender e traduzir de forma contextualizada a linguagem simbólica desses sintomas.
Portanto, todas as manifestações humanas não podem ser caracterizadas no binómio da mente e do corpo, mas sim em uma relação intrínseca psicossomática, pois não há uma manifestação puramente psíquica ou corporal, mas sim uma síntese entre sentimentos, sensações e mobilizações histoquímicas para a manifestação global do comportamento. Todas as nossas ações têm por base uma linguagem simbólica sempre associada às experiências com grandes significados, podendo estes serem tanto positivos como negativos.
Quando estes significados são positivos, entendo-o como ressonante às necessidades organísmicas, promovendo uma sensação de bem-estar e uma maior disposição para a vida com crescimento e criatividade, quando ao contrário, o significado é de uma conotação negativa, este cria padrões dissonantes que interferem nos princípios de equilíbrio e de regulação do organismo ou o princípio homeostásico defendido por Canon (1963). Como podemos entender, o expressar de sintomas se configura segundo Groddeck (2012), pela simbolização ou uma linguagem implícita que está velada nos processos inconscientes de evitação das dores existenciais, pois para ele todo o sintoma tem um valor simbólico por considerar o ser humano inato para a simbolização.
Em Biossíntese Morfo-Analítica a forma/pensamento é uma síntese de um conglomerado de ideias sobre às múltiplas experiências do existir. Quando os processos ressonantes se desenvolvem, maior é a capacidade de flexibilização na busca de novos conceptos para enfrentar as adversidades, portanto, nossas crenças, ideias e valores culturais serão sempre uma síntese biológica e existencial adaptativa gerando uma forma de SER.
A nossa capacidade de perceber, sentir e elaborar sentimentos, expressa-se dentro de um padrão específico em um meio sócio-cultural. Também não se podem eliminar os potenciais genéticos que produzem padrões flexíveis sob influência de fatores externos, e a depender de como o indivíduo e seus potenciais interagem com o meio ambiente, dentro de uma área afetiva, cria-se uma simbologia própria de cada ser humano, em um comportamento idealizado para a coexistência.
A forma mais importante de contato que estabelecemos com nossos processos subjetivos é a emoção e as dores de um sentimento não manifesto, que podem ser percebidas a partir de estímulos, externos ou internos, e a depender de sua intensidade imediata e afetos individuais, poderá se desencadear uma situação conflitante e surgir uma sensação dolorosa que presentifica a ação do estresse, que em continuidade se cronificará em distresse com todas as manifestações possíveis sempre estruturadas na melhor forma encontrada pelo indivíduo. Esta melhor forma não necessariamente é a melhor, mas se apresenta como um reflexo adaptativo em um sintoma que contem em si a linguagem subjetiva do NÃO MANIFESTO.
Muitas vezes nossa aparência é alegre, triste, colérica, depressiva, saudável ou doentia, mas para um bom observador tudo isto são personas, personagens que tem um único objetivo de esconder a dor. Esta é a dor que o indivíduo não pode esconder de si mesmo, pois segundo Abraham Lincoln (1809) “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”, principalmente a si, pois o elemento biológico em sua corporificação reage em continuum, às agressões sentidas, percebidas e guardadas.
A depender dos sintomas evidenciados, de aparência mais orgânica ou psicológica, podem ser minimizados ou extintos pelos processos de decisão elaborados no sentido do entendimento da linguagem implícita do não manifesto. Isto consiste no desenvolvimento reflexivo de dobrar-se sobre si mesmo e a partir de então criar competências que lhe possibilitem o livre expressar de seus pensamentos, desejos, vontades e ações. No entanto, estes aspetos devem estar em um substrato ético em que nossas ações possam ser livres, mas não invadir os limites alheios.
Quando um relacionamento não faz mais sentido, o cotidiano é tedioso e não lhe traz prazer, o grupo social ao qual você convive não comungam com suas ideias, suas relações profissionais são desgastantes ou pessoas com as quais você convive só agem por interesse e demonstram falsidades, este tipo de convivência terá um efeito acumulativo que em algum momento abrirá as chaves de suas pré-disposições para expressar uma sintomatologia patológica.
Geralmente nosso desenvolvimento é marcado com sentimentos reprimidos baseados em valores cerceativos que nos impedem de chorar, experienciar e expressar nossa sexualidade, conceitos do “certo e errado” e assim, vamos cultivando uma gama de sentimentos reprimidos, que ficam a sombra da polaridade de sentimentos como a raiva para esconder, a tristeza, a tristeza para esconder a dor, o medo para esconder a raiva. Quanto mais nos seguramos, mais alimentamos o poder destruidor da estagnação de sentimentos. Esta forma de reação emocional é a alavanca que mobiliza reações fisiológicas que diminuem o potencial do nosso sistema imunológico, que quando fragilizado deixa de contenção às anomalias latentes, tanto ao nível genético e celular como na funcionalidade de determinados sistemas metabólicos orgânicos.
Nossas mente tem a capacidade de elaborar, quando bem instrumentalizada os sentimentos e emoções, com consequente auxílio na recuperação e cura de diversas patologias. E assim nossa sugestão é: PENSE, REFLITA, CRIE, E FAÇA DIFERENTE, POIS POR MAIS DIFICÍL QUE PAREÇA, EXISTE SEMPRE UM NOVO CAMINHO. UMA NOVA POSSIBILIDADE!

Bibliografia



Cannon, W. B. (1963). The wisdom of the body. New York: W.W. Norton.
Groddeck, G. (2012). O livro disso (4ª ed.). São Paulo, Brasil: Perspectiva.
Lima, J. E. (30 de outubro de 2011). Aspectos Psicossomáticos da dor. Fonte: ABMP Associação Brasileira de Medicina Psicossomática: http://www.psicossomatica.org.br/blog/ler.asp?cod=60
Lima, J. E. (2013). Currículo Lattes detalhado acessar o endereço: http://lattes.cnpq.br/1292454437564950.

 


quinta-feira, 3 de maio de 2012

Reprotaje Panorama Dr. Mario Trelles

segunda-feira, 23 de abril de 2012

ACUPUNTURA




Nota de esclarecimento do Conselho Federal de Psicologia e Sobrapa sobre exercício da acupuntura 09.04.2012


A decisão da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que suspendeu a Resolução CFP 005/2002, que reconhece a acupuntura como prática complementar da atividade profissional do psicólogo foi publicada no dia 3 de abril de 2012.


Para o Conselho Federal de Psicologia e a Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura (Sobrapa) a decisão é equivocada, pois considera que a Lei nº 4.119/62, que regulamenta a profissão de psicólogo, não permite a prática da acupuntura, bem como pelo fato de que os psicólogos não estariam habilitados a efetuar diagnóstico clínico.


O acórdão proferido contraria o princípio do livre exercício profissional, estampado no art. 5º, inciso XIII da Constituição Federal de 1988.


No entendimento do CFP e da Sobrapa, não há qualquer dispositivo legal que vede a atividade desenvolvida e, como visto na análise do dispositivo constitucional, a regra é a liberdade do exercício profissional dos psicólogos (como de qualquer profissional), assistindo-lhes o direito liquido e certo de não verem-se proibidos a desempenhar atividade sem que tal vedação provenha de lei específica.



Equivoca-se, também, a decisão judicial ao considerar que a prática da acupuntura pressupõe um diagnóstico clínico. Isso porque a acupuntura é um método terapêutico milenar, parte integrante da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). A MTC repousa em bases inteiramente diferentes das da medicina ocidental, fundamentando-se nas “antigas Tradições Orientais”, particularmente na Filosofia Taoísta, logo sua base é filosófica, estruturando-se em um conceito taoísta de integridade e unidade do todo, ou seja, a unidade do organismo humano em si e a unidade maior do ser humano com a natureza, que representa a condição vital para a nossa sobrevivência. (Van Nghi, 1981; Tymowski,1986). Para a Acupuntura o ser humano é único e indivisível na sua relação com a vida e com a saúde. Portanto, não é abordado exclusivamente sob o ponto de vista do diagnóstico nosológico, mas sim sob a ótica do equilíbrio essencial entre as energias Yin e Yang (diagnóstico energético e funcional). Tem-se, pois uma perspectiva energética cuja diagnose é tomada sob três diferentes aspectos: as causas internas (psiquismo – emoções e sentimentos); as causas externas (fatores climáticos) e as causas, nem internas, nem externas (acidentes, por exemplo).



O psicólogo certificado em acupuntura, de acordo com as leis regimentais de sua profissão adere, em sua maioria, ao Estilo de Pensamento tradicional. Esse Estilo de Pensamento visa abordar e avaliar a pessoa de maneira holística e individualizada, com foco na avaliação energética e psicológica (estudo das etiologias e das agressões internas – sentimentos e emoções).



Os estímulos nos pontos de comando pelo profissional psicólogo são realizados a partir de instrumentos como agulha de acupuntura (inseridas de 2 a 3 mm na pele), além de sementes, pressão, calor, laser, eletricidade, entre outros, conforme descrito na tabela de atividades do CBO 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego (código2515-55 do psicólogo acupunturista).



Diferente, portanto, o enfoque da utilização da acupuntura pelos vários profissionais da saúde (médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos, entre outros). Cada um desses profissionais utiliza-se da acupuntura como recurso complementar, a partir de sua competência profissional prevista em cada Lei que regulamenta a profissão respectiva.



Assim, pode-se afirmar que a acupuntura, cuja base é filosófica e simbólica esta alicerçada em conhecimentos chamados Tradicionais e não nas ciências médicas, não é utilizada pelo psicólogo para tratamento médico - clínico, como pretende a decisão, mas sim a partir de uma avaliação psicológica - energética-funcional e voltada para o tratamento de sofrimento psíquico decorrente de um desequilíbrio energético-funcional.



Dessa forma, o Conselho Federal de Psicologia e a Sobrapa informam que recorrerão da decisão e envidarão todos os esforços para reverter, por intermédio dos recursos às instâncias superiores, a decisão proferida, mantendo assim os termos da Resolução CFP 05/2002. Assim, espera reestabelecer a segurança jurídica para que os psicólogos continuem a exercer a sua prática profissional com a utilização da acupuntura.


http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_120409_001.html

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CNS faz recomendação sobre exercício da acupuntura



Nesta semana, o Conselho Nacional de Saúde recomendou aos gestores e prestadores de serviços de saúde que observem o caráter multiprofissional em todos os níveis de assistência na implementação de políticas ou programas de saúde referentes às práticas integrativas e complementares, como a acupuntura. “Na prática, não apenas médicos podem exercer a acupuntura. A contratação de forma multiprofissional é preconizada pela Politica Nacional de Praticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde”, lembra o conselheiro nacional de saúde Wilen Heil e Silva, do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO).



Para zelar pelo direito do usuário da saúde de acesso aos serviços envolvendo práticas integrativas e complementares, o CNS também recomendou aos conselhos estaduais e municipais de saúde que tomem as providências cabíveis para fazer valer a politica nacional.



A utilização da acupuntura no Brasil, nos últimos 26 anos, enquanto recurso terapêutico, além de seguir a legislação sanitária, é regulamentada e fiscalizada pelos conselhos profissionais (autarquias federais). Esses conselhos reconhecem a prática e a respectiva especialização profissional, nas quais são estabelecidos, por meio de resoluções específicas, critérios para garantir à população um tratamento ético e responsável. Com isso, esta prática está respaldada com segurança e eficácia. Ao recomendar que essas informações sejam amplamente divulgadas, também com o apoio das secretarias de saúde estaduais e municipais, o CNS pretende informar corretamente a população sobre o caráter multiprofissional da acupuntura e assim ampliar o acesso da população a esta prática.



Sobre as práticas integrativas:



Decreto Presidencial n.o 5.753 de 12 de abril de 2006 que referenda a acupuntura como patrimonio cultural intangivel da humanidade pela UNESCO em 17 de outubro de 2003



Portaria MS nº 971 de 3 de maio de 2006, que aprova a Política Nacional de PráticasIntegrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde



Recomendação do CNS nº 027, de 15 de outubro de 2009



Recomendação do CNS n. o 010 de 11 de agosto de 2011



Recomendação do CNS n. o 012 de 11 de agosto de 2011



Equipe de Comunicação do CNS

Fone: (61) 3315-3576/3179

Fax: (61) 3315-2414/3927

e-mail: cns@saude.gov.br

Site: www.conselho.saude.gov.br

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Justiça Federal mantém resolução que reconhece o uso da acupuntura por psicólogos



O Conselho Federal de Psicologia obteve decisão favorável em processo que pedia a anulação da Resolução CFP nº 005/2002, referente a prática de acupuntura por psicólogos. A ação foi movida pelo Colégio Médico de Acupuntura sob o argumento de que apenas os conselhos de Medicina, Veterinária e Odontologia poderiam regulamentar a aplicação desta técnica. Entretanto, a 15ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal julgou o pedido improcedente uma vez que a acupuntura não é uma profissão regulamentada por lei, sendo sua prática aberta a todos os interessados mediante realização de cursos específicos.



Para o Colégio Médico de Acupuntura, o CFP teria extrapolado suas funções ao editar a resolução, autorizando a utilização da acupuntura para fins de tratamento psicológicos. No entanto, a Justiça Federal entendeu que a resolução não regulamenta a profissão do acupuntor, mas sim a do psicólogo, conforme lhe é atribuído por meio da Lei 5.766/71. A resolução apenas reconhece o uso da técnica chinesa como prática complementar por profissionais da área no sentido da intervenção e ajuda ao sofrimento psíquico ou distúrbios psicológicos propriamente ditos.



Segundo também consta na sentença, dada no último dia 26 de abril, a regulamentação da acupuntura não pode ser feita por nenhum conselho profissional específico, como alega o representante. Isto porque não existe lei formal que restrinja a prática da acupuntura a determinados profissionais. Portanto, nenhum conselho profissional pode estabelecer quais profissionais podem aplicá-la, mas sim reconhecer seu uso como recurso em seu trabalho.



http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_060522_555.html







segunda-feira, 16 de agosto de 2010

BIOSSÍNTESE MORFOANALÍTICA - GESTALTEN BIOLÓGICAS EXISTENCIAIS

BIOSSÍNTESE MORFOANALÍTICA



GESTALTEN BIOLÓGICAS EXISTENCIAIS





Palavra chave: Psicologia da Gestalt, Psicobiologia, Psiconeuroembriologia, Psicofisiologia, processo terapêutico, ciência e existencialismo.

J. Evilázio Lima





Conforme teorias científicas mais recentes, nós, seres humano, chegamos à nossa forma atual a partir da função e desenvolvimento de vários microorganismos existentes no “caldo” da terra primitiva, há aproximadamente bilhões de anos atrás.

Chegou-se à conclusão que, sob as influências de radiações cósmicas e intensas variações climáticas do nosso planeta em evolução, ocorreram grandes alterações físico-químicas nesta atmosfera primitiva, com o consequente surgimento das primeiras formas orgânicas (Alexander Oparin, 1936).

Estas bases da vida biológica (micróbios, vírus e outros pequenos seres) sofriam constantes mutações por modificações átomos-moleculares, culminando com advento do DNA, entendido hoje como repositório da vida biológica e da manutenção das espécies, assim a vida foi capaz de evoluir mesmo diante das intempéries ambientais.

Surgiram, então, os primeiros grupos e classes de seres vivos que, apesar de comportamentos similares (absorção e excreção) diferenciam-se quanto à forma e modo funcional, para sobrevivência, formando então, as primeiras colônias.

Deste continuum primordial da existência derivaram agregados mais complexos, e estes passaram a ser entendidos como os responsáveis pela junção simbiótica.

Este fenômeno ocorreu quando grupos que apresentavam comportamentos e funções diferenciadas se coligaram em uma independência, criando um todo com individualidade própria.

Como exemplo, podemos citar alguns animais marinhos como água-viva e a medusa. Neles, encontramos três animais distintos, em simbiose, um servindo para percepção, outro para locomoção e outro para digestão, formando um todo que caracteriza outro animal (globalidade).

De acordo com o exposto, se observarmos a natureza, poderemos deparar com espécies que sofreram diferentes graus de evolução, demonstrando o poder de adequação de suas estruturas, inclusive nós, seres humanos.

Entendemos, então, que este comportamento gregário, grupal e simbiótico não pode ser visto nem analisado como partes individuais, mas sim como funções independentes que expressam, em sua globalidade de seres, uma função maior própria, com objetivos existenciais definidos.

Nos seres humanos, a unificação de um indivíduo tem origem na função de dois organismos diferenciados (óvulo/espermatozóide), trazendo, cada um, uma ogiva genética de onde eclodem as polaridades que farão a síntese biológica de um novo ser. Esta síntese se desenvolve a partir do surgimento dos três folhetos embrionários: o ectoderma, o endoderma e o mesoderma.

Nesta seqüência curiosa e significativa, a compreensão dos projetos deste ser está contida no desenvolvimento embrionário onde continuará por toda a sua existência, demonstrando a repetição da filogênese pela ontogênese.

Uma das características das leis universais é a capacidade da existência em elaborar formas através de elementos mais simples criando sistemas mais complexos. O homem como produto histórico da configuração do Universo não foge à regra para construir sua própria forma, e também expressá-la em suas dimensões: biológica, psíquica e espiritual. Esta tríade guarda uma relação direta com o seu constructo biológico primário, que trás em si a idéia, a forma e a ação do estabelecimento humano.





Construção da forma





No período evolutivo dos seres vivos o DNA tornou possível o estabelecimento de formas adaptativas à dinâmica existencial, sem o qual, hoje, não seria possível a transmissão dos caracteres apreendidos.

Sob a forma de marcadores genéticos estruturais o DNA viabiliza o melhor desempenho (pregnância) no continuum evolutivo da forma humana.

Reconhecemos esses aspectos no homem quando na fusão espermatozóide/óvulo e no desenvolvimento das três camadas germinativas embrionárias, (ectoderma, endoderma e mesoderma).

Movidas geneticamente, através dos milhões de anos em evolução, estas camadas conduz ao surgimento de estruturas biológicas diferenciadas, mas, objetivadas para o sentido maior da unidade humana a construção do indivíduo como um todo. Sob esta síntese desenvolvemos uma forma de trabalho psicoterápico, que chamamos de Biossíntese Morfoanalítica: Gestalten Biológicas Existenciais.

Esta composição teórica objetiva uma prática que não se baseia unicamente nas tendências inscritas no organismo (os fatores genéticos), mas também, na intermediação dos fatores ambientais (os fatores epigenéticos), os quais são moldados pelas sensações e sentimentos que garantem o modo expressivo do Ser no mundo.

Esta inter-relação organismo-meio deve-se à capacidade perceptual oriunda da primeira camada embrionária, o Ectoderma, que é responsável pela construção dos órgãos dos sentidos, pele, cérebro, sistema nervoso e órgãos sexuais. Curiosamente, o fato de esta camada ser a primeira a ser formada, nos leva a entender que a instância primordial do organismo é perceber, sentir e transmitir as informações às outras estruturas a serem formadas. Isto dá a dimensão de proximidade e afastamento, através de processos sensoriais específicos a essa estrutura que, como função, leva à apreensão de uma realidade existencial expansora ou repressora das necessidades organísmicas.

As apreensões do mundo exterior sedimentam-se na camada mais profunda, o Endoderma, que digere e excreta as substâncias do mundo exterior, através dos órgãos viscerais do sistema digestório biologicamente configurado a partir dessa camada. Sua função não é só digerir o alimento bioquímico, mas também todos os processos emocionais que interferem na porção autonômica do sistema nervoso e digerir ou não as apreensões existenciais. A resultante desses procedimentos metabólicos é o impulsionamento da energia (bioquímica, psíquica e espiritual) que alimenta o dinamismo da camada intermediária às outras citadas, o Mesoderma. Esta camada, evidência a formação dos ossos, músculos, tendões, coração e circulação dos líquidos polarizados (sangue, linfa, hormônios, água e sais minerais) do organismo que são responsáveis pela afirmação e plasticidade expressiva do indivíduo para o mundo.

O encarar (facing, segundo Boadella, 1992) o meio e confrontar-se com este é, talvez, o maior ato de evolução da humanidade como espécie. Este ato por si só, demonstra como utilizamos nossos grandes ciclos biológicos (gestalten) em suas funções na manutenção de nossa existência: o ato de respirar (inspiração e expiração) e o ato de comer e excretar. Partindo-se da posição ereta, essas funções ditam o modo como operacionalizamos nossa existência. É importante salientar que estas três camadas trabalham de uma forma simbiótica na manutenção do equilíbrio homeostásico.

O ritmo acelerado da existência, o aumento da competitividade, a necessidade de níveis de aquisição e a dificuldade de alcançá-los põem o indivíduo em um estado permanente de excitação nervosa (stress) que, quando cronificado, conduz ao distress (o estabelecimento de atitudes e funções orgânicas compensatórias aos estímulos nocivos recebidos). Estas compensações interferem no ciclo de regulação do organismo (Kurt Goldstein, 1961) que oscila, constantemente, entre os estados de atividade e repouso, buscando a melhor forma.

A busca pelo entendimento de atitudes quer sejam, de aparência orgânica ou psico-comportamental, faz com que o conhecimento humano evolua sob as bases de postulados filosóficos, dos quais se originam ideologias e correntes abstraídas de uma realidade sempre circunstanciada pelo individual.

Compreendemos que ciência é conhecimento que, quando firmado e aceito, cria um paradigma que se adéqua às vertentes do pensamento em um meio sócio-cultural. Assim, a ciência evoluiu sedimentada na fragmentação da realidade em verdades distintas, tendo como base o Cientificismo Positivista Cartesiano, que deu origem ao conhecimento objetivo e exato e o Cientificismo Subjetivo Humanístico, que retrata as atitudes humanas através dos sentimentos e idéias caracterizadas por tradições culturais.

O êxito do positivismo na Europa contribuiu para o descaso do pensamento metafísico, divergindo dos princípios preconizados por Lamark, Darwin e Kant a respeito da natureza. Neste período se reivindicou a Psicologia, direitos de pertencer aos postulados científicos como os da Física, Química, Biologia, e Ciências experimentais. Os trabalhos de Stuart Mill reivindicam a Psicologia como ciência independente, em que a observação teria como objetivo descobrir leis em que os fenômenos da alma (espírito) geram uns aos outros, sem exclusão da dependência organísmica (matéria – corpo físico).

Procurando corresponder às expectativas da Psicologia como ciência em seu caráter vigente, surgiu a Gestalt Teoria que, ao mesmo tempo se contrapondo aos procedimentos positivistas e associacionistas, tenta aprofundar o psiquismo humano de uma forma original e simples. E isto foi possível através do estudo das sensações e imagens que constituem a espinha dorsal de seus procedimentos teóricos.

A Psicologia da Gestalt ou ainda a Psicologia da Forma deve o seu desenvolvimento aos alemães Ernest Mach, físico, e a C. Von Ehrenfels, filósofo e psicólogo, que através de seus escritos sobre as qualidades da forma, os quais continham observações a respeito de linhas melódicas, onde a forma particular de uma partitura é a qualidade irredutível à enumeração das partes que compõem a melodia. Nasceu então o que entendemos como globalização da forma - o todo é maior que a soma das partes.

A Gestalt Teoria tem ainda uma influência da fenomenologia, através de Franz Bretano, tido como o iniciador dos movimentos fenomenológicos, Husserl e Koffka. Estes movimentos influenciaram a filosofia existencial de Karl Jaspers e Martin Heidegger, repercutindo sobre as ciências psicológicas, modificando a relação terapeuta/paciente, por ter levado em conta as qualidades de contato entre ambos, estabelecendo uma nova abordagem terapêutica.

A Gestalt Teoria se impõe no domínio médico-patológico influenciando a chamada Medicina Psicossomática, de origem Européia, com Grodeck, e a Americana com Franz Alexander. Por seu caráter científico se orienta para a consideração dos equilíbrios e dos desequilíbrios globais do indivíduo (ciclo de regulação organísmica em sua totalidade psico-orgânica).

Sob esse prisma, é inconseqüente negar a globalização da ação organísmica no confronto com o meio – campo total – (interno e externo), considerando ainda de extrema importância o reconhecimento das sensações no campo existencial que determinam a melhor forma de ação do indivíduo. É de vital importância para os novos caminhos da Gestalt terapia e a psicologia contemporânea, um entendimento da melodia tocada por cada ser humano, sendo cada aspecto desta, simplesmente, uma nota em sua harmonia com a existência.

Dentro do processo existencial, não há estruturação corporal sem uma experiência direta, portanto, a noção de existência só acontece a partir da tomada de consciência corporificada dentro da experiência direta (Awereness).

A expressão da estrutura humana tem um sentido de organização, e este sentido evidencia-se a partir da noção implícita do caos, o que leva à necessidade de uma ordenação dos estímulos que chegam ao organismo, e que serão metabolizados para uma ordem expressiva.

Em Biossíntese Morfoanalítica: Gestalten biológicas existenciais, este fenômeno de ordenação, que entendemos como princípio de pregnância ou estruturação da forma ideal, pode ser observado desde o desenvolvimento embriológico, nos movimentos interativos das camadas embrionárias já citadas.

Todos os influxos do organismo materno interagem bioquimicamente nas necessidades embrionárias desenvolvidas em cada ciclo das aberturas das chaves genéticas do organismo em formação. Esta capacidade de se organizar é um processo intrínseco às leis universais, quando observamos a natureza do átomo que busca manter-se estável dentro de sua instabilidade estrutural na formação molecular.

Portanto esta propriedade é inerente e básica como núcleo organizador. Todo organismo vivente procura, através do estabelecimento de ordenação, a resposta que acomode o melhor desempenho funcional. Desta forma, nossos órgãos e suas funções desenvolvem um organograma seqüencial a partir dos valores das forças que são absorvidas pelo organismo. Estas forças nos impulsionam para padrões que podem ficar estratificados em camadas cristalizadas, impedindo outras possibilidades funcionais.

Este continuum de organização conduz ao surgimento de formas ideais entre protoplasma e matéria, e no plasma humano caminha para a “formatividade” pregnante à ação.

Após o nascimento, o ser humano continua a repetir o processo de seu desenvolvimento, tendo sempre como base os ciclos de regulação organísmica que impulsionam a existência em uma espiróide entre vida, existência e morte.

Todos os organismos viventes têm uma forma única no modo de se organizar, e nos seres humanos esta organização se faz através de um diálogo contínuo entre as necessidades naturais e os paradigmas da sociedade circundante, o que nada mais é do que a busca da individuação. Nesta busca, os indivíduos se amoldam em processos injuncionais que poderão impulsionar ou estagnar a criatividade – criar atividade – e a criação – criar ação – pelo fixar de ideais psicológicos.

O que é mais presente durante toda jornada informativa é a capacidade contínua de estruturar nossa forma durante a existência.

Nossa idéia de Self vai estar sempre de acordo com a nossa percepção do como agimos, mas não percebemos a atividade músculo-esquelético para fazê-la, ou seja, tornamo-nos autômatos dos nossos padrões de sentimentos e pensamentos.

Quando nossas percepções ditam que estamos defasados em nossos objetivos, mais uma vez é acionado o centro organizador, o qual sob esta tomada de consciência age como um desorganizador do pré-existente, para reorganizar novos conceitos de existência, repetindo-se assim as ações micromoleculares para o macrocosmo social. Esta percepção nos dá a condição de escolha, ao invés de sermos escolhidos. E a partir do reconhecimento das forças limitadoras e da facilitação de experimentos que possibilitem o aumento da flexibilidade criativa, se constrói a chave do processo terapêutico para reinstituir o fluxo da energia formativa. O ponto central é a experienciação, pela qual nos estruturamos e projetamos esta corporificação em nossa vida pessoal.

O ato terapêutico, com uma observação adequada, nas expressões do cliente como um todo associados ao discurso verbal contextualizado ou não, podem conduzir ao desvelamento das “chaves” biológicas que são cruciais para a detecção das interferências dissonantes ou resistências que interferem no ciclo de regulação organísmica.

O passo inicial para as pessoas começarem a se dar conta dos padrões dissonantes, que são elas mesmas em várias situações, conscientes ou inconscientes, é o facilitar a confabulação de experiências significativas dentro de suas existências. Isto se torna possível, tanto ao nível individual, como nos grupos terapêuticos, com o estabelecimento de vínculos de confiança na escuta e na fala.

A partir deste passo, começamos a elaborar os procedimentos somáticos de como configurarmos nossa atitude para expressarmos ao meio.

O psicoterapeuta conhecendo os vários estágios formativos deste universo que se encontra à sua frente (o cliente) estabelece uma relação de contato que desenvolve uma coerência capaz de viabilizar a ressonância e a consciência “awareness” por parte do cliente em reconhecer (conhecer novamente) os entraves entre pensamento e ação. Estes conflitos contribuíram para expressar comportamentos inadequados por parte do cliente em seus relacionamentos pessoais e em sua própria existência.

O ato conduz a uma desarrumação da forma presentificada, abrindo um maior espaço em um novo sentido para o surgimento de uma nova concepção da forma, uma nova ação (inovação) e um novo comportamento.

Alguns puristas em terapias com base gestáltica exageram “o como”, e evitam os porquês, entendendo que estes tenham conceituação analítica e fragmentadora da totalidade, dando caráter mais explicativo do que integrativo, mas, no entanto, utilizamos aqui uma máxima popular que diz: “todo o quê tem seu por que”. Daí a importância de se conscientizar, primeiro, “do quê” e o entendimento “do como” para executar a ação.

De uma maneira mais prática, podemos perguntar: “O que faço?” Para em seguida questionar: “Como faço?” E em uma terceira etapa se dar conta de como parar de fazer (retirada). Na quarta etapa: “O que acontece quando deixo de fazer?” (evitação). E como quinto elemento: fazer uma síntese das etapas anteriores, procurando estar na “awareness” da importância dessa experiência na minha vida como um todo, de que forma a utilizo, quais os ganhos e perdas neste tipo de ação. Segundo Naranjo:



La terapia gestáltica considera como fóbica gran parte de la conducta actual: organizada de tal forma que toda ella pueda parecer fluida, y sin embargo, se evita el verdadero contacto, se suprime la verdadera expressión. Más allá de las casi universales evitaciones del dolor, de la profundidad en el contacto y de la expresión, algunas de nuestras fobias son individuales y se relacionan con el desheredar ciertas funciones específicas que son parte de nuestro potencial.

La idea de iniciar la acción o la expresión tiene, por consiguinte, dos formas de aplicación técnica en la terapia gestáltica: uma universal y otra individual. Uma técnica universal es maximizar la iniciativa, correr riesgos y manifestar la expressión en palabras ou acciones. Una de aplicação individual es una “prescripcion” basada en un diagnóstico individual de algo en cuyo hacer la persona se verá forçada a superar su evitación.



Em Biossíntese Morfoanalítica: Gestalten Biológicas Existenciais, ao executar uma ação qualquer é necessário ter Vontade, mas por outro lado, a vontade não nasce do nada e sim de uma energia sutil conhecida por Pensamento.

O pensamento ou forma de pensamento precede a nossa existência, e só através deste, a consciência humana se configura. Portanto, os pensamentos que passam para nós não são nossos, mas sim de uma consciência coletiva universal.

A consciência seria nada mais do que a síntese das formas de pensamento que habitam (fixação de idéias) e atravessam nossas mentes dentro de uma determinada cultura.

A depender de como sentimos e elaboramos os pensamentos como nossos, passaremos a desenvolver tensões, vibrações eletromoleculares de nossa estrutura orgânica, nos dando um sentido de auto-identidade, específica a uma ação. Nasce a partir daí o que podemos entender como Desejo. Queremos, então, fazer “algo”, não importa o que seja, e a partir do nível elaborativo das “formas pensamento” que configuram o desejo, passamos a uma necessidade orgânica de “fechar”, concluir o desejo. (Ciclos de regulação Organismica)

Sob a ação do desejo que por sua vez configura-se em função da intensidade das ondas de pensamento, nosso organismo eleva o grau de excitação nos complexos densos e fluídos de nosso corpo (hormônios, líquidos, descargas elétricas, motilidade celular dos tecidos e acomodações ósseas). Neste estágio, nos resta duas opções, permanecer e não ir adiante, ou partir para a ação, e para isto é necessário que atue a Vontade.

Para movermos no mundo é necessário ter vontade, desde o movimento de um simples dedo, a tomar decisões mais complexas e objetivas, dentro de um contexto existencial, o empenho da vontade (Ação) pode mudar, muitas vezes, toda uma dinâmica de vida.

A vontade pode ser entendida como “algo” distinto, mas não afastado do corpo, pois as atividades deste dependem da predominância energética da vontade. Em essência, seguimos a energia incessante da fonte que jorra de nosso interior (Id grodeckiano, Eu centro, Self, Core), que nos direciona no mais puro sentido da natureza humana; só que entre o impulso de saída do nosso Eu centro, e a manifestação expressiva de nós (eu social) muitas interferências ocorrem, o que sob muitos aspectos psicológicos e específicos, nos distanciam das expressões e configurações mais originais do espírito, do corpo e do psiquismo.

Em cima destes pressupostos, podemos entender que todo o crescimento humano sempre foi e será permeado pela vontade, mas, no entanto, esta vontade, muitas vezes fica encoberta pelo ambiente sócio-cultural.

As ações reais ou realizações, nada mais são do que a materialização da energia da vontade, pois só podemos percebê-la através da consecução das ações.

Essa operacionalização depende de uma forma específica de ação a que chamamos vontade hábil.

Toda ação para ser concretizada decorre de um processo, o qual está permeado de dificuldades exteriores que podem ser entendidas como entidades vivas (Sub Personalidades ou Sub Eus) que tentam, dentro de suas possibilidades, intervir e bloquear a consecução dos objetivos propostos. Quando desenvolvemos através de treinamentos específicos o surgimento da vontade hábil, conseguimos vencer, habilmente, todas as interferências que ameaçam a consecução dos objetivos firmados. Nós temos a capacidade de escolher, livremente, nossas ações, mantendo toda responsabilidade desta escolha.

Este poder de decisão que evolui e se desenvolve com a espécie humana, é o que é chamado de centro da vontade.

Em alguns momentos de nossa vida, nos sentimos como um barco à deriva. Não se vê a margem, isto é, não se reconhecem às metas e, estas quando são conhecidas não se sabe como alcançá-las.

No campo psicológico, isto significa a necessidade de se ter consciência das interferências produzidas por hábitos estereotipados, suas funções e inter-relações, de modo que possamos traçar as ações mais concretas para a execução das nossas metas.

Em algumas situações, a vontade (necessidade) surge com força e habilidade, muitas vezes ela não é satisfatória, e a sua direção não objetiva metas que visem ao crescimento individual ou o bem comum, pois esta pode estar dirigida para a maldade e tornar-se um grande risco para a comunidade, sociedade e humanidade. Podendo ser também utilizada para promover a “peste emocional”, corrompendo a vontade de outras pessoas e desconsiderando princípios éticos, distorcendo verdades em função de objetivos psicopatológicos.

Quando a vontade como necessidade entra em ação, ela deve ser forte, hábil e acima de tudo boa. Estes aspectos devem ser a meta de qualquer empresa, instituição ou pessoa humana que ocupam um lugar na sociedade.

Existe ainda outro aspecto de que muitas vezes nossa individualidade não se dá conta, mas que, de maneira consciente ou inconsciente, permeia os outros três: é à vontade transpessoal. Este é o quarto fator dimensional da existência humana, e que muitas vezes foi olhado com resistência pelos meios científicos, e que era domínio do campo religioso e da espiritualidade. Esta dimensão funciona no sentido ascendente, na busca da compreensão divina, que é inerente ao homem conhecida como transcendência, que visa à busca de valores supremos, experiências culminantes, transes e sensações místicas, bem-aventurança, auto-realização interior e a expansão do EU pessoal na busca do sagrado durante o cotidiano. Busca ainda um maior relacionamento entre a fusão do Eu pessoal com o sentido divino através da expansão deste Eu fundindo-se com o Eu cósmico que é a vontade transcendental.

O trabalho em Biossíntese Morfoanalítica aguça a nossa sensibilidade fazendo com que tomemos consciência da parte mais elemental e característica do nosso ser, a consciência do nosso Eu, o núcleo da nossa existência que tem uma natureza completamente diferente de todos os elementos (sensações físicas, sentimentos, pensamentos, processos emocionais...) que formam a nossa personalidade, agindo como centro unificador regendo estes elementos e guiando-os para a unidade de uma totalidade orgânica.



O organismo humano (corpo)





Uma Gestalt Biológica tem por base a estruturação de movimentos e posturas, os quais provocam o despertar de uma nova consciência (Awareness) em que o individuo dar-se conta de novas possibilidades e atitudes que proporcionaram escolhas mais eficazes dentro de seus processos existenciais.

Esta base foi ampliada levando-se em conta o principio elementar da contratibilidade biológica em resposta aos vários níveis de percepção. Entendemos que a principal via expressiva do ser humano são as respostas neuromusculares e viscerais alimentadas por conceitos individuais, que a depender do tipo de resposta expressiva, seu tempo e intermitência, poderá ser criado uma deformação postural e comportamental. Isto se dá por encurtamento (contração crônica), ou flacidez (perder tonicidade), da musculatura em geral. Deve-se levar em conta que a priori a musculatura esquelética posterior é principalmente atingida, e por conseqüência interfere em nossa forma estrutural que está diretamente ligada ao como fazemos e interagimos, diante do mundo que nos cerca, assim a nossa forma se expressa no nosso comportamento e vice-versa.

Outro princípio inerente às formas vivas é a tendência atualizante na busca da melhor forma e melhor adaptação às diversas situações fenomenológicas existenciais. Enquanto seres humanos este princípio de pregnância estará presente em nós tanto em latência como em potência no buscar de uma configuração simétrica equalizadora dos opostos.

Os opostos, vida e morte fazem parte de um processo global e específico. Global por fazer parte da existência como um todo e específico quando enfoca momentos existenciais.

Portanto devemos tomar consciência que viver é um processo de caminharmos para a morte e, durante esta jornada, nos deparamos várias vezes com a possibilidade da finitude. Quando adoecemos tomamos atitudes de risco em nossos ritos de passagem e nas “mortes vivas”, o nosso modo de interagir nestes momentos de crise é evidenciado pelas “marcas” expostas em nossas atitudes.

O nosso corpo é parte de um sistema integrativo onde todos os fluxos e influxos se interpõem e interdependem mutuamente (simbiose) todo tempo. Desta forma a terapia morfoanalítica não é um método de alívio, mas uma transformação concomitante da estrutura interna e externa facilitada por uma atitude não-diretiva por parte do profissional. Isto não quer dizer uma isenção, pois todo o processo é um acordo dentro dos limites de contato determinado pelo paciente, que tem liberdade de recuar ou avançar.

A tomada de consciência por parte do cliente o conduz a enfrentar seu próprio sentimento e o profissional ter ouvidos para captar os subentendidos, estando consciente que não se modifica impunemente uma estrutura corporal. Para tanto é necessário um bom contato com suas próprias emoções para não bloquear as dos outros.

Esta percepção por parte do psicoterapeuta quer seja um processo de grupo ou individual, não o faz um simples observador, mas antes de tudo um experenciador congruente consigo mesmo e com o outro, em uma globalidade no dar-se conta de como podemos mudar a nós mesmos.





Referencial Bibliográfico





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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

CONVIVENDO COM O MORRER - GESTALTEN BIOLÓGICAS EXISTENCIAIS

ABSTRACT

CONVIVENDO COM O MORRER

Ciclo do renascimento - Leunam Max
GESTALTEN BIOLÓGICAS EXISTENCIAIS


No mundo material e objetivo em que vivemos, está presente a maior angústia existencial, a terminalidade, a morte. Uma característica básica do homem é o pensar e o modo de como o faz, explicando de como o pensar nos define como existência, moldando por um tempo indefinido a tentativa de perpetuar sensações em detrimento a “ganhos” no modo relacional. O convívio com a angústia de morrer leva a um paradoxo entre a realidade de estarmos morrendo em nosso processo existencial e a terminalidade biológica. Outro fato que nos confronta com o morrer é a sexualidade em seus dois aspectos: o procriar e o prazer. Segundo alguns autores, nossas vida se estabelece de acordo com o nosso nível de awareness do Eu e não de “eu”. O conhecimento destes elementos confronta-nos de forma preparatória com o mito interior, o grande morrer. Desta forma compreende-se que nosso contínuo existencial está ligado ao modo como com as nossas pequenas mortes (gestalten existenciais) que irão formar o todo da morte final (fechamento da gestalt biológica), assim renascendo a cada instante favorecendo um morrer saudável que não precisa ser doloroso ou negado, mas simplesmente natural.

"Visto que a matéria e a substancia das coisas são indestrutíveis, todas as partes que a compõem estão sujeitas a todas as formas, pelo que o uno e o múltiplo se transformam no múltiplo e no uno, se não num mesmo tempo e num único momento, em vários tempos e momentos, em sequência e em alternância."
(O retorno de Giordano Bruno)


CONVIVENDO COM O MORRER
GESTALTEN BIOLÓGICAS EXISTENCIAIS

Dr. Evilázio Lima
Psicólogo e Acupunturista

No mundo material e objetivo em que vivemos, apesar de todo avanço científico - tecnológico a maior angústia existencial ainda é o lidar com a terminalidade, o que nos faz permanecer mantendo contato com tudo que acreditamos como único; e evidentemente nos parece ser o sentido de nossa existência. Isso se transforma em um dado real que dificulta e às vezes torna quase impossível uma retirada que nos possibilite o novo. Dentre as várias opções criadas por nossa existência é o aparato religioso que nos traz um aparente conforto de continuidade, independente de como isso se proceda, que continuaremos a existir. As promessas religiosas e espirituais mais comuns são da eternidade da alma, do renascer em um paraíso ou inferno como gratificação ou castigo ou ainda renascer em nosso mundo físico com uma proposta de evoluir com uma essência espiritual através de processos kármicos. Quando em nossas relações com os fenômenos mundanos algo não sai dentro de nossas expectativas, podemos atribuir à forças exteriores, divindades ou simplesmente... “Deus quis ou Deus não quis” e assim nos distanciamos da possibilidade de mudar a realidade, permitindo a “morte” do que já não é mais possa favorecer um novo ressurgir. No entanto ao que nos parece, todas essas promessas vinculadas aos diversos credos não nos privam de uma maneira geral de vivenciar em um nível psicológico bem concreto o conviver com “as perdas existenciais e biológicas”, o que nos torna os argonautas da morte.

É possível que a maioria das pessoas não se dê conta de que quando nasceram ou foram concebidas começaram a morrer, e de uma maneira muito sábia a natureza nos põe à prova do nosso convívio com a finitude das coisas. Ao nascer somos formados por uma trindade de funções que são estabelecidas por razões evolutivas, pois enquanto embriões nossa forma final (gestalt biológica), deriva-se da tríade que alicerça a nossa configuração organísmica: o ectoderma - estrutura que surge em um primeiro plano e vai definir o modo de como percebemos e sentimos o nosso mundo exterior e interior; o endoderma que de uma forma geral é responsável pelo nosso “digerir” bioquímico e psicológico e o mesoderma que vai facilitar o nosso processo de como sentimos , absorvemos, expressamos nossas gestalten (abertas ou fechadas) no nosso estar no mundo. Esta tríade biológica estabelece os nossos limites de contato e como estes, corroboram de uma forma constritiva ou expansiva a nossa compreensão de mundo.

Outra característica básica do ser humano, que nos diferencia de outras espécies é o pensar e o modo como o faz. Desta forma a máxima cartesiana de: “Penso logo Existo” explica de como o pensar nos define como existência, ou seja: se eu escolho em guardar uma raiva, uma dor, uma tristeza, ou qualquer sentimento afetivo estando este consciente ou inconsciente, molda por um tempo indefinido a tentativa de perpetuar essas sensações em detrimento de possíveis “ganhos” no modo relacional. Assim nos parece mais fácil entender que a eternização de nossos caracteres como seres únicos dependem do como pensamos e nos sentimos diante dos eventos e circunstâncias que fenomenalizam o nosso existir, e assim criamos mitos. Dentre estes podemos considerar como maior, o mito da morte.

Keleman (1980, p.71) coloca que “A experiência está ligada ao mito. Estar mergulhado na própria experiência é viver seu próprio mito, sua própria história de vida. Toda vez que refletimos sobre aquilo que experimentamos, estamos criando uma estória para explicar aquela experiência, ou estamos aceitando a explicação de outrem sobre ela: nossos pais, nossos professores, o chefe, nosso cônjuge, a cultura”.

O convívio com a angústia de morrer estabelece um paradoxo entre a realidade de estarmos morrendo em nosso processo existencial e a terminalidade biológica. Sob circunstâncias como doenças, acidentes e desafetos profundos criamos o mito de que estamos sob a eminência da morte. O que não nos damos conta é que nosso morrer existencial deriva-se do fato de termos nascido e ao que tudo indica, nascemos para morrer. É muito importante entendermos que o morrer não significa a morte, mas sim o modo de como transpomos os fatos mais marcantes em nossa vida biológica, psicológica e espiritual. Por exemplo: nossas gestalten biológicas do desenvolvimento (criança, adolescente, adulto e o velho). O surgimento e o desaparecimento de emoções intensas e alterações de credo em função de nossos níveis de awarenes nos liga com algo indefinido e divino que tenta explicar nossas ações temporais na vida biológica e após esta. Então o nascer e o morrer guardam uma relação direta de como interagimos com nossos valores e expectativas psico sócio culturais.

Autores como A. Maslow, R. Assagioli, Jung, P. Weil, Groff e outros começaram a preocupar-se com os limites do conhecimento cartesiano que não podiam explicar determinados acontecimentos que envolviam estados alterados de consciência e era mais fácil lidar com estes através de um rótulo do que explorar de uma maneira criativa estes estados e promover uma reintegração psico-biodinâmica. Através de sistemáticos estudos dos autores acima citados entre outros, desenvolveu-se um campo da psicologia que hoje é conhecido como Transpessoal, que busca explicar os fenômenos além da pessoa, o que foi um grande marco para o estabelecimento de condutas que buscam minimizar entre outras aplicações, o sofrimento de indivíduos que estão eminentemente frente à morte biológica.

Entretanto para o nosso entendimento o ser humano não estabelece um crescimento ou compreensão transpessoal e sim uma expansão de seus próprios níveis de awareness não para além dos seus limites pessoais, mas ampliando estes para uma compreensão mais profunda de sua existência na unidade cósmica. Portanto, não é simplesmente se encontrar recursos para que se possa intervir unicamente nas pessoas que estejam sendo acometidas de doenças tidas como terminais, mas promover revisões quanto ao estabelecimento dos mitos que esta pessoa fixou durante sua interação sócio cultural, isto é, tornar consciente o que Keleman coloca sobre a existência do grande morrer e do pequeno morrer. Se entendermos morrer como a finitude de algo isto está sempre acontecendo em nossa vida, pois a cada instante em uma relação espaço-tempo muito subjetiva (contato-retirada) estamos sempre lidando com terminalidades, quando expiramos logo inspiramos, quando comemos ou bebemos logo excretamos, estabelecemos vínculos e os perdemos, nossas funções físico metabólicas estabelecem ritmos de plenitude e vazio, expansão e contração e assim nos aspectos biológicos, sociais e espirituais estamos sempre morrendo e renascendo em algo.

Outro fato que nos confronta com o morrer é a sexualidade, onde dois aspectos permeiam esta forma de relação: o procriar e o prazer. Quanto ao procriar, este parece ser o vínculo dentro do campo filogenético de nossa permanência como espécie, e o prazer sexual, uma forma de expressar as tensões estabelecidas pela carga de energia acumulada em nossas relações existenciais.

Independente pela busca do prazer ou procriar o ato sexual é culminado por um pico explosivo (descarga orgástica ou um fechamento de uma gestalt), que parece muito se assemelhar ao processo de morte, pois em situações de orgasmo muitos indivíduos experimentam uma fragmentação do ego, uma perda de identidade sexual (Grodeck) e uma sensação de estar morrendo ou morrer. Outra questão ligada à morte ou ao morrer é a identificação com o ideal do corpo, que de acordo com as questões interativas, toma formas que contam uma história vivenciada pelo indivíduo.

Ao observar estas transformações, geralmente o que se pensa é que elas são algo que vem de fora para dentro e que não se pode intervir em cima da vontade do corpo. Assim sendo, idéias como: “Eu estou velho para isto!”, ou... “Eu só posso fazer isto!” ou... “Se eu não posso mais, estou velho para!”... “Então, só me resta esperar a morte!”.

Se olharmos bem para estas questões o que pode de imediato nos chamar a atenção é o fato de que para nos definirmos como atitude, como limitação ou forma expressiva; utilizamos sempre o pronome do caso reto “eu” e esta primeira pessoa é sempre identificada com padrões e papéis sociais que circunscrevem a existência individual. Portanto quando se diz “Eu estou morrendo...” este tipo de pensar nos confronta quase sempre com a possível morte imediata, o que pode ou não ocorrer, o que queremos dizer é que necessariamente o Eu não precisa estar sempre identificado com qualquer processo existencial, pois a excessiva fixação em um deles pode nos levar a uma configuração que impossibilita outras expressões desse Eu centro.

Segundo Assagioli e Pierrakos toda nossa vida se estabelece de acordo com o nosso nível de consciência do Eu e não de “eu”, pois no Eu centro reside o núcleo (core) de nossa responsabilidade e a consciência mais profunda da nossa vontade de existir em nosso processo de morrer.

Podemos expandir o Eu das estruturas mais básica da vida como comer, reproduzir e preservar-se (Eu básico), para uma consciência do desempenho dos papéis de ordem social e cultural (Eu pessoal) e esta consciência ampliar-se em uma compreensão global do sentido da existência em uma subjetivação da ordem cósmica a cerca da DIVINDADE existencial (Eu expandido, Eu cósmico ou Eu transpessoal).

O conhecimento destes elementos e o se dar conta da finitude deles e o surgimento de outros, confronta-nos de uma forma preparatória com o mito interior, o grande morrer. Então para podermos morrer é necessário nascer e para nascer é preciso morrer. Desta forma é possível a compreensão de que nosso contínuo existencial está ligado ao modo como lidamos com as nossas pequenas mortes (gestalten existenciais) que irão formar o todo da morte final (fechamento da gestalt biológica) de como em vida morremos e renascemos a cada instante favorecendo um percurso de morrer saudável que não precisa ser doloroso ou negado, mas simplesmente natural.



REFERENCIAL TEÓRICO

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